segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010

Evasões pessoais

Sempre gostei de ler. Quer dizer, sempre gostei muito de ler. Pelo menos muito mais do que a maioria das pessoas que eu conhecia quando era criança ou adolescente. Hoje, no entanto, conheço bastante gente que gosta de ler tanto quanto eu. O que é ótimo e de alguma maneira faz eu me sentir menos isolada em meus gostos do que me sentia com 15 ou 16 anos.

Leitura para mim significa, entre outras coisas, prazer. E porque não confessar, evasão...
Em certos momentos difíceis da minha vida a evasão proporcionada por um bom livro foi essencial para suportar várias das barras pesadas que já enfrentei. Posso dizer que os livros me salvaram, de alguma forma. Sem eles tudo teria sido mais difícil.

Hoje, ler se tornou parte da minha vida profissional. E mesmo vários dos livros que leio profissionalmente me dão prazer - embora alguns sejam realmente cansativos.
Mas mesmo nos cansativos sempre descubro algo novo, algo que não conhecia e como antes de mais nada sou uma eterna curiosa, chego a simpatizar inclusive com estes. Eu sei, às vezes sou estranha.
Como diria um antigo amigo meu, não se chega ao doutorado impunemente, sem se ter um lado nerd na personalidade.

Se é verdade não sei. Mas por mim, ok. Não tenho problemas em ser meio nerd.
Quando falo isso para outras pessoas elas se horrorizam. Mas você não tem nada de nerd... Você gosta de dançar, você gosta de praia... Falam eles, querendo me defender.
Eu apenas sorrio, sem paciência para polemizar.

Mas quero compartilhar hoje algumas das minhas últimas leituras que nada têm a ver com minha vida profissional. E sim com minhas evasões pessoais.

Acabei de ler a trilogia José e seus irmãos, de Thomas Mann. A. foi o responsável, ele que me indicou. É fascinante, uma longa viagem a tempos bíblicos. Muitas vezes árida e em alguns momentos erudita demais. Mas uma viagem que vale a pena. Mann é sempre maravilhoso. Mas requer fôlego. E apetite pela leitura.


Encomendei semana passada na Estante Virtual - site que vende livros usados e que eu recomendo, por sinal - Julie and Julia. O livro chegou na sexta-feira e me custou dez reais. Adoro um sebo!!!
Estava curiosa sobre o livro. Leve, leve. Li durante o final de semana e aproveitando para ver o filme de mesmo nome, que A. baixou pela internet para mim.
Adorei o filme.
Ao que parece inaugurei uma nova fase de interesse e livros que mesclam literatura e culinária estão mexendo com minha imaginação.
Vocês têm mais alguns para me indicar?
Encomendei mais alguns pela Estante Virtual, mas adoraria indicações de vocês.

Essa revista comprei no caminho da praia para ler por lá mesmo.
Gosto de ler revistas enquanto tomo sol e tenho um fraco por Oscar Wild. Como autor - fantástico - e por toda a temática que cerca os dândis. Aliás, tenho um livro que aborda o dandismo como fenômeno. Mas isso fica para outro post.


Por último, seguindo a linha de livros para minha fome de evasão, o próximo da lista é Chocolate. Eu ganhei há um tempo atrás mas ainda não havia lido. Vocês lembram do filme homônimo, estrelado por Juliette Binoche?
Não espero alta literatura e sim diversão que sacie meu desejo atual por livros que falem de culinária. Estranho, não é? Mas já me acostumei com esses desejos sem muita explicação.

E vocês, o que têm lido? Ou estão com fome de ler o que?
Adoraria saber...
Beijos a todas

quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010

Turquesa

A turquesa é uma pedra preciosa conhecida e usada desde a Antiguidade.
Era considerada a pedra nacional da Pérsia e muito utilizada na decoração de objetos.

O nome turquesa significa “pedra turca”, não exatamente por ser originária da Turquia mas por se acreditar serem os habitantes dessa região os responsáveis por sua introdução e popularização na Europa.

Foi muito utilizada também por tribos indígenas da América do Norte, principalmente entre os artesãos navaho.





Essa introdução foi para mostrar as fotos dessa casa.
Não, essas não são imagens da minha casa.
Mas me deixam inspirada.
Não sei se a minha casita está tão colorida quanto esta aqui. Mas que adorei, ah, isso com certeza.
O tom verde-azul piscina me lembra das caixas de lápis de cor que eu tinha na infãncia. Costumava poupar o lápis verde piscina, que na época era sempre meu preferido.
Hoje chamo essa cor de turquesa. Gosto da pedra em colares e anéis, mas nunca havia cogitado o uso da cor em paredes.
Achei lindo.
Acho que não pintarei as paredes da casa dessa cor. Mas Dolores conta que ficou com vontade de incorporar mais azul turquesa em suas roupas e acessórios.

Beijos

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010

Vira-lata


Mais um pedacinho da casa.
E uma habitante que achou seu novo local favorito.
Eu a adotei com 1 mês de idade e ela cabia na palma da minha mão. Estava com sarna, sem pêlos, subnutrida e suas perninhas eram da finura de meu dedo mínimo.
Quando a encontrei estava dentro de um saco plástico. Seu antigo dono tinha, sem dúvida, péssimas intenções.

Hoje ela está aí, peluda, bela e faceira. Cheia de amor e super inteligente.
Adoro vira-latas...

O banco era de A. As almofadas ainda serão forradas com outro tecido e na janela vocês podem ver o narguilé e a coleção de cachimbos do meu amor. Não sou a única por aqui que tem gostos um pouco datados...
Ainda bem. De outra forma, como ele compreenderia Dolores e meu gosto por coisas antigas?

Beijos e uma boa semana para todas nós.

quarta-feira, 27 de janeiro de 2010

Detalhes

Minhas bonequinhas, as matrioskas húngaras apresentadas neste post de novembro, ganharam um lugar para chamar de seu na casa nova.

Como vocês já pediram para eu mostrar aos poucos alguns detalhes da casa, apresento um cantinho da sala.

Uma amiga que veio aqui ontem disse que a casa está ficando a cara de Dolores.
Lentamente, porque ainda não deu para arrumar tudo como queremos. Mas temos tempo pela frente, apesar não termos mais $$$ no momento.

Eu mesma pintei essa mesinha e esse espelho. Refugos de família, abandonados, que voltaram a vida depois de uma tinta amarela.
Adoro vermelho, mas amarelo é uma cor que tem me atraído cada vez mais. Deixa qualquer móvel antiguinho tão alegre, vivo...

A parede azul é uma homenagem a Casa Azul de Frida Kahlo, que já mereceu dois posts de Dolores. Você pode conferir aqui e aqui.

E é isso. Um cantinho da minha casa que começa a se delinear.
A mesa e o espelho abandonados só me custaram o preço de uma latinha de tinta.
O vaso antigo herdei de minha avó. O paninho de crochê foi igualmente herdado da mesma avó.
As flores são da feira. E as bonequinhas um presente de meu hermoso irmão, que recebeu de Dolores a alcunha de Pepito Soledad. E riu muito com isso.

Um beijo a todas.

segunda-feira, 25 de janeiro de 2010

What I wore today... in drawings


Vocês conhecem o blog What I wore today... in drawings?
Dolores acabou de me apresentar a ele e eu recomedo para quem gosta de moda e aprecia idéias criativas. As ilustras deste post vieram diretamente de lá.

No blog, moças de todo o mundo mandam desenhos que ilustram seus looks. Não, elas não são artistas plásticas. São pessoas que resolveram tirar um tempinho para voltar à infância e retratar a si mesmas com humor.

Tudo muito divertido e inspirador, não só pelas composição do visual de cada uma, mas pelos próprios desenhos em si.
É sempre muito interessante a gente perceber como são infinitas as possibilidades de se expressar através tanto de roupas quanto de ilustrações.
Tão infinitas como são as possibilidades de ser e se reinventar a cada dia.

Eu não desenho há algum tempo, mas confesso que fiquei com vontade...
Dolores sempre inventa moda. Será que agora vai querer virar ilustração?

Um beijo e um bom dia a todas.

Retrô


Essa fofura em vermelho é a mais nova queridinha da casa. Quase um bichinho de estimação.
Bem no comecinho deste blog eu havia classificado a Brastemp retrô como um dos maiores objetos de desejo de Dolores, neste post.
Eu havia avisado minha pobre amiga que só em sonhos, desiludindo-a. Meu orçamento não me permitiria e ela, melancolicamente, parecia haver se conformado.

Mas, eis que com o casamento, meu padrinho se ofereceu para nos dar um presente. Perguntou se eu queria uma geladeira ou um freezer.
Ganhei pouquíssimos presentes, pois meu casamento foi minúsculo. E nunca imaginei ganhar nada desse porte.
Eu e A. já morávamos juntos há meses. Antes disso, morei sozinha por um bom tempo. Não fiz listas de casamento nem nada. Não era a nossa cara.

Mas, meu padrinho insistia. Falou que não aceitava um não e que gostaria muito de me dar um presente. De preferência uma geladeira. Mas eu já tinha minha geladeira velha, funcionado perfeitamente... O que fazer?

Até que lembrei do antigo sonho de Dolores. Era a solução ideal. E falei com ele.

Final feliz.
Um belo dia chega até nossa porta essa mini geladeira. Rubra, como diz Dolores. Fofa.
Meu padrinho ficou contente da vida e eu mais ainda. E a Brastemp retrô presenteada mora hoje no escritório aqui de casa.

Obrigada, tio.

Beijos a todas.




quinta-feira, 21 de janeiro de 2010

Dona Acácia


Na casa nova, não paramos de achar coisas consideradas perdidas há alguns dias.
Objetos que pareciam estar brincando de pique esconde conosco começam a dar o ar de sua graça, surgindo inesperadamente de dentro de gavetas dissimuladas, que aparentavam enganosa inocência, ou ainda das profundezas remotas de algum armário.

Entre achados e perdidos a câmera foi resgatada, depois de permanecer dias exilada em um recanto obscuro da escrivaninha de A.

E a primeira foto na casa nova não poderia ser outra que não fosse a da maior atração por aqui no momento.
A acácia florida que ilumina de amarelo o quintal.

Ao abrir a janela do escritório me deparo todo dia com essa árvore, esfuziante e festiva, exibindo seus cachos despudoradamente.
Ela parece mostrar-se orgulhosa, contente por estar florida, exuberante e amarelíssima. Uma árvore totalmente assumida, sem um pingo de vergonha de ser o que é.

Vendo como eu estava impressionada, Dolores me explicou que se trata de uma árvore antiga, vivida, que já passou da fase da auto-censura e das inseguranças da juventude.

Noutro dia descobri que a casa onde estou morando é de 1938. Descobri de forma nada lúdica, quando chegou o IPTU, mas não vamos estragar nossa história...

Se Dona Acácia - vou chamá-la dessa forma - foi plantada no quintal nesse período, ela vive sua sétima década, ou melhor, curte seu septuágesimo segundo verão.

Suas primas mais jovens aqui das redondezas não estão em tão boa forma. Tímidas. Vacilantes. Muito magrinhas. Pálidas. Meio apagadinhas.

Já Dona Acácia, exibida, não está nem aí, quer mostrar o melhor de si. Resplandecente, parece comemorar estar por aqui para curtir mais um verão carioca.
E ainda me brinda com um perfume suave a cada manhã, quando acordo e abro a porta. Como quem diz carinhosamente: Bom dia, minha querida...

Nada me tira da cabeça de que ela é uma árvore feliz. E extremamente bem resolvida. Sábia, creio eu.

Dona Acácia, Dolores cochicha aqui do lado que quer ser igual a você quando crescer. E que admira sua experiente auto-estima.
Eu também gostaria de chegar aos 72 anos com sua sabedoria. E aos poucos ir abandonando minhas inseguranças, um pouco mais a cada ano.

Bem, ao menos espero contar com você, Dona Acácia, a cada ano, a cada verão e a cada florada, para me inspirar nessa difícil empreitada.

Beijos amarelíssimos a todas.